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EN 1822 — Como interpretar seus requisitos

  • Foto do escritor: Pituã Brasil Business
    Pituã Brasil Business
  • 26 de mar.
  • 5 min de leitura

Subtítulo: Leitura técnica da norma para classificação, ensaio e controle de desempenho de filtros HEPA e ULPA por eficiência local e global.



Valor técnico: Interpretar corretamente a EN 1822 reduz incerteza, aumenta reprodutibilidade e alinha critérios de aceitação entre P&D, QA e fabricação.



1. Conceitos Fundamentais

A EN 1822 é uma família de normas de ensaio voltada à classificação e verificação de desempenho de filtros HEPA e ULPA, com foco em eficiência de remoção de partículas em regime de fluxo especificado. O núcleo técnico da norma é a determinação da eficiência associada ao MPPS (Most Penetrating Particle Size), além da avaliação de vazamentos por eficiência local.


O desempenho de um filtro para aerossóis depende do comportamento de partículas e dos mecanismos de captura no meio: difusão (dominante em nanopartículas), interceptação e impacto inercial (mais relevantes para partículas maiores) e, em menor grau, forças eletrostáticas quando presentes em meios filtrantes eletretos. O MPPS emerge justamente da transição entre difusão e mecanismos inerciais/interceptivos, onde a penetração tende ao máximo.


Para fins de teste de filtros, o aerossol é caracterizado por distribuição de tamanho (análise granulométrica) e concentração. Em HEPA/ULPA, a avaliação costuma ser fracionária, por faixas de diâmetro. A eficiência fracionária e a identificação do MPPS são críticas porque uma eficiência “média” pode mascarar a condição mais desfavorável de penetração.


Além da eficiência, a pressão diferencial (Δp) é um parâmetro funcional de primeira ordem. Δp influencia consumo energético, capacidade do ventilador, condições de instalação e estabilidade do ponto de operação do sistema. Em produção e validação, a coerência entre eficiência/penetração e Δp ajuda a detectar variações de pleat, selagem, uniformidade do meio e defeitos de montagem.



Parâmetros críticos na interpretação

  • MPPS e faixa de tamanhos medida (impacta a classe).

  • Eficiência global (integral do filtro) versus eficiência local (varredura para vazamentos).

  • Condições de ensaio: vazão, temperatura/umidade, estabilização do aerossol de teste.

  • Relação sinal/ruído na contagem de partículas e limites de detecção do instrumento.

  • Incerteza (instrumental, amostragem, estabilidade do aerossol, repetibilidade de montagem).


2. Métodos e Técnicas de Medição

A EN 1822 combina lógica de classificação por desempenho no MPPS com uma abordagem de verificação que separa: (i) medição de eficiência/penetração do conjunto e (ii) busca de vazamentos (defeitos locais). A seleção do método de medição deve considerar faixa de tamanhos, concentração e o nível de eficiência esperado (muito alto em ULPA).



Medição fracionária por espectrometria

A base técnica mais comum é a medição por espectrômetro de aerossol, obtendo contagens por classes de tamanho a montante e a jusante do filtro. A partir da contagem de partículas, calcula-se a penetração fracionária P(d) e a eficiência fracionária E(d)=1−P(d), identificando o MPPS e a pior condição de desempenho.


Vantagens: alta resolução por tamanho, rastreabilidade do ponto crítico (MPPS) e aderência à lógica de classificação HEPA/ULPA. Limitações: dependência de calibração, perdas em linhas de amostragem (difusão/impaction), e necessidade de estabilidade do aerossol ao longo do teste.



Medição óptica versus outras abordagens

Em contextos industriais, também se encontram medições por instrumentos ópticos (contadores ópticos de partículas e fotômetros) e abordagens gravimétricas em outras normas. Para HEPA/ULPA, a gravimetria não é adequada como critério principal de eficiência, pois não resolve o MPPS nem a penetração em níveis extremamente baixos.



Integração com outras normas de ensaio

É comum coexistirem requisitos de produto e de aplicação. Por exemplo, ISO 16890 trata filtros para ventilação geral com métricas baseadas em ePMx (massa fracionária por fração respirável), enquanto a EN 1822 é específica para HEPA/ULPA com foco em penetração/eficiência no MPPS e controle de vazamentos. Interpretar corretamente qual norma governa o uso evita especificações incompatíveis (ex.: exigir ePM1 para um HEPA como critério principal).



3. Equipamentos Usados no Setor

A conformidade metrológica em teste de filtros depende de um conjunto coerente de geração, condicionamento e medição do aerossol, além de instrumentação de vazão e Δp.



Geração e condicionamento de aerossol de teste

  • Geradores de aerossol (p.ex., para DEHS/PAO ou alternativas equivalentes): controlam concentração e estabilidade temporal.

  • Neutralização de carga (quando aplicável): reduz efeitos eletrostáticos no transporte e na deposição, melhorando reprodutibilidade.

  • Condicionamento de linhas: materiais e geometrias que minimizam deposição, perdas por difusão e segregação por tamanho.


Medição de tamanho e concentração

  • Espectrômetro de aerossol: base para análise granulométrica e determinação de eficiência fracionária/MPPS.

  • Contagem de partículas a montante/jusante com amostragem representativa: essencial para calcular penetração em níveis baixos.

  • Sistemas de teste e medição integrados: bancadas automatizadas (incluindo plataformas do tipo TOPAS) que controlam vazão, estabilizam aerossol, sincronizam amostragem e registram Δp.


Controle de vazão e pressão diferencial

  • Medidores de vazão (laminar flow element, venturi, orifício calibrado): garantem ponto de operação conforme norma.

  • Transdutores de pressão diferencial de alta estabilidade: capturam Δp do filtro e perdas do sistema.

  • Controle em malha (válvulas/ventiladores com inversor): reduz deriva e melhora repetibilidade entre lotes.


4. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios

A interpretação dos requisitos da EN 1822 impacta diretamente o desenho de especificação, a qualificação e o controle de processo em diferentes segmentos.



Salas limpas e indústria farmacêutica

Em HVAC de salas limpas, filtros HEPA/ULPA são selecionados pela classe e verificados por integridade/ausência de vazamentos. A eficiência global pode atender à classe, mas defeitos locais (microvazamentos em mídia, juntas, selos, separadores) comprometem a contenção. Por isso, a eficiência local por varredura é um requisito prático de confiabilidade.



Fabricantes de filtros e meios filtrantes

Em P&D e produção, a eficiência fracionária ajuda a correlacionar alterações de formulação do meio filtrante (diâmetro de fibra, densidade, carga, binder) com deslocamento do MPPS e alteração de Δp. Essa correlação é central para otimizar performance energética versus eficiência.



Turbinas a gás, processos industriais e aplicações automotivas

Embora EN 1822 seja típica de HEPA/ULPA, laboratórios frequentemente operam múltiplas famílias de filtros. Em pré-filtração e ventilação geral, a ISO 16890 domina; em processos críticos (proteção de produto/paciente, contenção, microeletrônica), EN 1822 define critérios. A prática comum é construir uma matriz de aplicação: pré-filtros (ISO 16890) + etapa final (HEPA/ULPA EN 1822), com verificação por Δp, eficiência e integridade.



5. Boas Práticas e Parâmetros Críticos

A qualidade do resultado depende tanto do instrumento quanto do protocolo. Em ensaios de altíssima eficiência, pequenos desvios de amostragem ou estabilidade do aerossol geram erros relevantes.



Recomendações técnicas para reduzir incerteza

  • Estabilidade do aerossol de teste: monitorar deriva temporal e garantir regime estacionário antes de registrar dados.

  • Controle de coincidência na contagem: ajustar concentração para manter o detector em faixa linear.

  • Linhas de amostragem equivalentes a montante/jusante: minimizar assimetria de perdas e atrasos.

  • Verificação de vazão: calibração rastreável e validação do perfil de fluxo na face do filtro.

  • Gestão de fundo: medir “blank” (sem aerossol) e subtrair/qualificar ruído de base, principalmente a jusante em ULPA.

  • Mapeamento de varredura: definir malha, velocidade, distância da face e critério de aceitação para eficiência local.


Erros comuns na interpretação

  1. Assumir que uma eficiência em um único tamanho representa o MPPS do produto.

  2. Comparar resultados de instrumentos com diferentes princípios sem considerar função de resposta e calibração.

  3. Ignorar o impacto de Δp e vazão no ponto de operação, alterando a penetração observada.

  4. Subestimar perdas por deposição em tubulações, principalmente em faixas submicrométricas.


6. Conclusão Técnica

A EN 1822 estrutura a avaliação de filtros HEPA e ULPA em torno do ponto mais crítico do desempenho (MPPS), combinando eficiência fracionária e verificação de integridade por eficiência local. Interpretar corretamente seus requisitos exige domínio de física de aerossóis, metrologia de contagem de partículas, controle de vazão e pressão diferencial, além de protocolos que assegurem reprodutibilidade.


Na prática, a confiabilidade do ensaio depende de sistemas de teste e medição consistentes — incluindo espectrômetro de aerossol, geradores de aerossol de teste e bancadas automatizadas (como plataformas do tipo TOPAS) — e de critérios claros de amostragem e aceitação. Essa base técnica reduz divergências entre laboratório, produção e validação, elevando a comparabilidade entre lotes e a confiança regulatória.



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