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Como escolher o contador de partículas ideal para a aplicação

  • Foto do escritor: Pituã Brasil Business
    Pituã Brasil Business
  • 13 de jan.
  • 6 min de leitura

Subtítulo: Critérios de seleção baseados em física de aerossóis, metrologia e normas para garantir resultados confiáveis em sistemas de teste e medição.



Escolher um contador de partículas para ambientes controlados e teste de filtros exige compatibilizar princípio de medição, faixa granulométrica, regime de escoamento, características do aerossol de teste e requisitos normativos. A seleção incorreta aumenta incerteza, reduz reprodutibilidade e pode mascarar desempenho real de meios filtrantes, especialmente em aplicações de alta eficiência como filtros HEPA e ULPA.



1. Conceitos Fundamentais

A medição de partículas em aerossóis envolve grandezas estatísticas e físicas. Em ensaios de filtragem, avaliam-se tipicamente concentrações a montante e a jusante, distribuição de tamanho e a queda de pressão (pressão diferencial) no elemento filtrante. O resultado final pode ser expresso como eficiência integral ou eficiência fracionária, dependendo do método e do objetivo do ensaio.



1.1 Comportamento de partículas e propriedades de aerossóis

O comportamento de partículas depende de diâmetro aerodinâmico/óptico, densidade, forma e higroscopicidade, além de temperatura/umidade e composição do gás. Em filtragem, os mecanismos dominantes variam com o tamanho:


  • Difusão (Browniana): relevante em partículas ultrafinas; aumenta eficiência para tamanhos muito pequenos.

  • Interceptação: governada pela proximidade da trajetória às fibras do meio filtrante.

  • Impactação inercial: importante para partículas maiores e maiores velocidades.

  • Forças eletrostáticas: podem elevar eficiência em meios carregados; sensíveis a neutralização e condições ambientais.

Esses mecanismos criam um ponto crítico: a MPPS (Most Penetrating Particle Size), onde a penetração é máxima. Para filtros HEPA e ULPA, a escolha do instrumento deve cobrir a faixa de tamanhos ao redor da MPPS e entregar resolução para análise fracionária.



1.2 Grandezas e parâmetros críticos em ensaio

  • Concentração numérica: contagem de partículas por unidade de volume.

  • Distribuição de tamanho: necessária para análise granulométrica e cálculo de eficiência fracionária.

  • Penetração e eficiência: eficiência = 1 − (Cjusante/Cmontante).

  • Pressão diferencial: indicador de restrição ao fluxo e parâmetro de desempenho energético.

  • Incerteza e repetibilidade: dependem de estatística de contagem, calibração, estabilidade do aerossol e amostragem.


2. Métodos e Técnicas de Medição

A seleção do método deve considerar o objetivo (classificação normativa, P&D, controle de processo), a faixa de concentração e o tipo de aerossol. Em muitos sistemas de teste e medição, combinam-se sensores de partículas com medição de vazão, temperatura, umidade e pressão diferencial.



2.1 Contagem óptica (OPC/LPC) e seus limites

O contador de partículas óptico (OPC) mede a luz espalhada por partícula ao cruzar um feixe laser, inferindo o diâmetro óptico por calibração. É amplamente usado em salas limpas e em ensaios de filtros em faixas típicas de 0,3–10 µm (dependendo do modelo).


  • Vantagens: resposta rápida, operação contínua, facilidade de integração em linhas de teste.

  • Limitações: dependência do índice de refração e forma; coincidência em altas concentrações; saturação; sensibilidade reduzida abaixo do limite óptico.

Para ensaios que exigem resolução próxima à MPPS de filtros de alta eficiência, a escolha deve considerar o menor tamanho detectável, a linearidade em concentração e a estabilidade do fluxo de amostragem.



2.2 Espectrômetro de aerossol: distribuição e eficiência fracionária

Um espectrômetro de aerossol fornece distribuição granulométrica com múltiplos canais e melhor base para eficiência fracionária. Em aplicações de P&D e qualificação de filtros, a distribuição a montante e a jusante permite identificar a região da MPPS e avaliar a robustez do meio filtrante sob diferentes condições.


Critérios práticos de seleção:


  • Número de canais e faixa: define resolução de análise granulométrica e capacidade de localizar a MPPS.

  • Tempo de integração: impacta ruído estatístico em baixas concentrações (jusante de HEPA/ULPA).

  • Correções e calibração: rastreabilidade e coerência entre instrumentos montante/jusante.


2.3 Métodos gravimétricos e comparação com métodos numéricos

A gravimetria determina massa coletada em filtro por volume amostrado, sendo útil quando a métrica de interesse é massiva (ex.: algumas classificações de ventilação e ar externo). Porém, não resolve a distribuição em tamanho e pode ser menos sensível em condições de baixa carga.


Em termos de comparação:



2.4 Normas e implicações na escolha do instrumento

As normas de ensaio (ex.: ISO 16890, EN 1822, etc.) determinam aerossóis, condições de teste, forma de cálculo e aceitação. Para seleção do contador, os pontos mais críticos são:


  • Faixa de tamanho exigida: deve cobrir o intervalo normativo e a região da MPPS quando aplicável.

  • Faixa de concentração: montante elevado e jusante muito baixo exigem boa razão sinal/ruído e controle de coincidência.

  • Requisitos de estabilidade: variações de vazão e aerossol afetam diretamente a incerteza.


3. Equipamentos Usados no Setor

Em laboratórios e linhas industriais, a contagem de partículas raramente é um instrumento isolado; integra-se a sistemas de teste e medição com geração/condicionamento de aerossol, controle de fluxo e aquisição de dados. Alguns tipos comuns incluem:



3.1 Contadores de partículas e amostragem

  • OPC/LPC de bancada: usados em ensaios e desenvolvimento, com maior flexibilidade de configuração.

  • OPC integrados em skids: focados em repetibilidade e controle de processo em bancadas automatizadas.

  • Acessórios de amostragem: sondas isocinéticas, linhas aquecidas (quando necessário) e controle de diluição para evitar saturação.


3.2 Espectrômetros de aerossol e plataformas de teste

Plataformas industriais (incluindo arquiteturas amplamente utilizadas no setor, como sistemas TOPAS) tipicamente combinam espectrometria/contagem com:


  • Geradores de aerossol de teste: DEHS, PAO, NaCl, ou poeiras padronizadas, dependendo do ensaio.

  • Neutralizadores: para reduzir efeitos de carga e tornar o aerossol mais controlado.

  • Medição de vazão e pressão diferencial: fundamental para correlação desempenho vs. energia.

  • Automação e aquisição: sequências de teste, estabilidade de condições e rastreabilidade de dados.


3.3 Bancadas para meios filtrantes e testes fracionários

Para caracterização de meios filtrantes (folhas, mantas, não-tecidos), a instrumentação deve permitir controle fino de velocidade frontal, condicionamento do aerossol e medições fracionárias com baixo nível de penetração. A compatibilidade do contador com baixas concentrações e a capacidade de medir por longos períodos com estabilidade são decisivas.



4. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios

Diferentes setores impõem requisitos distintos de faixa de tamanho, concentração e rastreabilidade.



4.1 Filtros automotivos e industriais

Em filtragem de admissão e processos industriais, o foco é frequentemente a eficiência em uma faixa ampla e o impacto na pressão diferencial ao longo da carga. Contadores e espectrômetros são usados para mapear desempenho sob variação de vazão e para comparar geometrias e gramaturas de meios.



4.2 Salas limpas e indústria farmacêutica

Monitoramento e qualificação de ambientes demandam contagem de partículas com limites de detecção compatíveis com classes de limpeza e protocolos internos. A conformidade depende de calibração, validação de pontos de amostragem e consistência entre instrumentos e rotinas de manutenção.



4.3 Filtros HEPA e ULPA (qualificação e integridade)

Ensaios de alta eficiência exigem medições jusante em níveis muito baixos e controle rigoroso do aerossol de teste. Espectrometria ou contagem com múltiplos canais melhora a avaliação fracionária, permitindo verificar desempenho na região crítica da MPPS e detectar desvios de fabricação.



4.4 Turbinas a gás e processos sensíveis

A presença de partículas finas afeta erosão, incrustação e confiabilidade. Ensaios com distribuição de tamanho suportam a seleção de estágios de filtragem e a validação de sistemas sob condições realistas de poeira e umidade, com correlação direta entre penetração e risco operacional.



5. Boas Práticas e Parâmetros Críticos

Para elevar a qualidade metrológica e reduzir variação entre ensaios, recomenda-se padronizar condições e validar toda a cadeia de medição.



5.1 Como reduzir incerteza e aumentar reprodutibilidade

  • Estabilizar vazão e condições ambientais: variações afetam contagem e eficiência calculada.

  • Controlar coincidência: usar diluição quando necessário e respeitar limites de concentração do instrumento.

  • Garantir amostragem representativa: posicionamento correto de sondas, evitar deposição em linhas e minimizar comprimentos desnecessários.

  • Verificar calibração e rastreabilidade: checagens periódicas, comparação interinstrumentos e registros completos.

  • Definir tempos de integração: aumentar tempo em jusante de HEPA/ULPA para reduzir ruído estatístico.


5.2 Erros comuns na seleção do contador de partículas

  1. Escolher apenas pelo menor tamanho nominal: sem avaliar faixa útil, ruído, coincidência e estabilidade.

  2. Ignorar a natureza do aerossol: índice de refração e forma podem deslocar a resposta óptica.

  3. Desconsiderar requisitos normativos: canais, faixas e critérios de aceitação podem não ser atendidos.

  4. Subestimar integração com a bancada: sem controle de vazão, neutralização e aquisição, a incerteza domina o resultado.


6. Conclusão Técnica

A escolha do contador de partículas ideal é uma decisão de engenharia orientada por física de aerossóis, requisitos de teste de filtros, faixa granulométrica, regime de concentração e conformidade com normas de ensaio (ex.: ISO 16890, EN 1822, etc.). Em aplicações críticas, a combinação de contagem robusta com espectrômetro de aerossol, controle de pressão diferencial e geração estável de aerossol de teste é determinante para resultados tecnicamente defensáveis.


Instrumentação e plataformas de mercado (incluindo sistemas TOPAS) exercem papel central ao integrar geração, condicionamento, medição e automação, viabilizando maior reprodutibilidade e rastreabilidade em P&D, produção e compliance.



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