Para que serve um sistema de medição com diluição (FMS 375)
- Pituã Brasil Business

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Subtítulo: Por que a diluição controlada é decisiva para medições confiáveis de aerossol em ensaios de eficiência fracionária e contagem de partículas.
Resumo técnico: Um sistema de medição com diluição como o FMS 375 viabiliza medições estáveis e rastreáveis em ampla faixa de concentrações, reduzindo saturação de sensores e melhorando a reprodutibilidade em teste de filtros.
1. Conceitos Fundamentais
Sistemas de teste e medição de filtros dependem de quantificar concentrações de partículas a montante (upstream) e a jusante (downstream) do elemento filtrante. A eficiência é obtida pela relação entre essas concentrações; em especial, a eficiência fracionária exige que essa relação seja calculada por classes de tamanho (bins), correlacionando o desempenho ao comportamento de partículas em diferentes regimes físicos.
Em filtros de alta eficiência, como filtros HEPA e ULPA, a concentração a jusante pode ser várias ordens de grandeza menor que a montante. Essa assimetria impõe desafios metrológicos: instrumentos podem saturar a montante, enquanto a jusante opera próxima ao limite de detecção. A diluição controlada resolve esse problema ao trazer a concentração para a faixa operacional ideal do sensor, mantendo a linearidade e reduzindo vieses.
Do ponto de vista de física de aerossóis, a penetração de partículas pelo meio filtrante é governada por mecanismos como:
Difusão (Browniana): dominante em partículas ultrafinas; aumenta a captura em diâmetros menores.
Intercepção: relevante quando o diâmetro da partícula é comparável à distância ao redor das fibras do meio.
Impactação inercial: cresce com o tamanho e velocidade, favorecendo captura em partículas maiores.
Atração eletrostática: pode afetar meios filtrantes eletretados e modificar a curva de eficiência ao longo do tempo e da carga.
Esses mecanismos produzem a curva típica com MPPS (Most Penetrating Particle Size), região crítica em que a eficiência é mínima. Ensaios com análise granulométrica são essenciais para localizar essa região e comparar tecnologias de mídia e construção do filtro.
Outro parâmetro crítico é a pressão diferencial (Δp), associada à perda de carga do filtro e ao consumo energético do sistema. Em ensaios laboratoriais, Δp deve ser monitorada simultaneamente à eficiência, pois variações de vazão e regime de escoamento alteram tanto a captura quanto a leitura dos instrumentos.
2. Métodos e Técnicas de Medição
Um sistema de medição com diluição é utilizado quando a concentração do aerossol de teste excede a faixa linear de medidores (ou quando se deseja reduzir coincidência e incerteza). A diluição pode ser aplicada tipicamente no canal upstream, downstream ou em ambos, dependendo do método e do alvo de desempenho.
2.1 Medição por contagem versus medição por massa
Em teste de filtros, coexistem métodos por contagem e por massa, cada um com aplicações e limitações.
Contagem de partículas: mede número de partículas por volume e, frequentemente, por tamanho. É indicada para eficiência fracionária e avaliação em MPPS. Sensível a coincidência (múltiplas partículas no mesmo evento de detecção) em altas concentrações.
Gravimetria: determina massa coletada em substrato ao longo de um período. É robusta para altas cargas e avaliação de capacidade de retenção, mas não fornece distribuição por tamanho em tempo real.
Em filtros HEPA/ULPA e em qualificação de ambientes, a abordagem por contagem e distribuição de tamanhos é geralmente mandatória, pois a performance deve ser comprovada na faixa de maior penetração.
2.2 Instrumentação óptica e espectrometria de aerossol
Instrumentos ópticos estimam tamanho a partir de espalhamento de luz; já um espectrômetro de aerossol (por exemplo, por mobilidade elétrica, dependendo da tecnologia) pode oferecer resolução superior na região submicrométrica. Em ambos os casos, a estabilidade do aerossol e o controle de concentração são determinantes para a incerteza total.
Principais limitações técnicas em altas concentrações:
Saturação do detector e perda de linearidade.
Coincidência em contadores, elevando subcontagem.
Deposição em linhas e sondas, alterando a fração amostrada.
Dependência do índice de refração e forma da partícula em sensores ópticos.
O uso de diluição controlada mitiga esses efeitos ao manter o instrumento na faixa especificada e ao reduzir a probabilidade de coincidência, especialmente em upstream de testes com aerossóis concentrados (p. ex., NaCl, DEHS/PAO, conforme o método).
2.3 O papel da diluição (FMS 375) na cadeia de medição
Um sistema como o FMS 375 atua como um módulo de condicionamento da amostra, implementando um fator de diluição conhecido e estável. Tecnicamente, ele permite:
Expandir a faixa dinâmica do sistema de medição, mantendo leituras upstream dentro da faixa do sensor.
Proteger instrumentos contra sobrecarga de partículas e contaminação acelerada.
Melhorar reprodutibilidade, reduzindo variações associadas a não linearidade e coincidência.
Viabilizar comparação entre métodos, ao estabilizar a concentração em níveis comparáveis entre laboratórios e bancadas.
O fator de diluição precisa ser calibrável/verificável e compatível com a vazão de amostragem do instrumento (contadores e espectrômetros). Em sistemas bem projetados, a diluição é feita com ar limpo e seco (ou gás de diluição) e com controle de vazão para manter estabilidade temporal.
2.4 Normas e enquadramento metrológico
Os requisitos de medição e aceitação variam por aplicação. Entre as normas de ensaio (ex.: ISO 16890, EN 1822, etc.), destacam-se:
ISO 16890: classificação para filtros de ventilação geral baseada em eficiência por faixas (ePM1, ePM2,5, ePM10), com medições relacionadas a partículas e metodologia de ensaio específica.
EN 1822 / ISO 29463: classificação e teste de filtros HEPA/ULPA, incluindo determinação de eficiência no MPPS e testes de varredura (scan) para detecção de vazamentos.
Em qualquer enquadramento normativo, a rastreabilidade do fator de diluição e a gestão de incerteza (instrumento, amostragem, estabilidade do aerossol, vazão, Δp) são partes centrais do resultado.
3. Equipamentos Usados no Setor
Em laboratórios e linhas de produção, o arranjo típico inclui geração de aerossol, condicionamento, medições upstream/downstream e controle de vazão/Δp. Tecnologias frequentemente encontradas incluem:
Geradores de aerossol de teste: NaCl (partículas sólidas) e DEHS/PAO (gotículas) para diferentes normas e faixas de tamanho.
Espectrômetro de aerossol: para análise granulométrica e eficiência fracionária com resolução por tamanho.
Contadores de partículas: para contagem de partículas em faixas discretas, com atenção a coincidência em altas concentrações.
Medição de pressão diferencial: transdutores de Δp com adequada resolução e estabilidade térmica.
Módulos de diluição (ex.: FMS 375): condicionamento da amostra para manter concentração dentro da faixa metrológica do detector.
Bancadas de teste (ex.: sistemas TOPAS): plataformas integradas para teste de filtros e meios filtrantes, combinando controle de vazão, instrumentação e aquisição de dados.
A escolha do conjunto depende do tipo de filtro, faixa de eficiência esperada, faixa granulométrica de interesse e exigências normativas. Em filtros HEPA/ULPA, a capacidade de medir penetrações muito baixas impõe instrumentação de alto desempenho e controle rigoroso do aerossol.
4. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios
Um sistema de medição com diluição é particularmente relevante em cenários onde a diferença upstream/downstream é extrema ou onde se trabalha com aerossóis altamente concentrados para garantir sinal estatístico.
Fabricação e qualificação de filtros HEPA e ULPA: medições no MPPS exigem estabilidade, baixa incerteza e capacidade de medir penetrações muito pequenas. A diluição ajuda a manter upstream em regime linear enquanto downstream permanece mensurável.
Salas limpas e indústria farmacêutica: testes de integridade e verificação de desempenho exigem correlação entre geração, contagem e varredura. A diluição pode ser crítica para evitar saturação durante desafios controlados.
Filtros automotivos e industriais (admissão de ar, HVAC, turbinas a gás): ensaios comparativos de meios filtrantes e elementos completos usam eficiência fracionária e Δp para otimização de desempenho versus energia e vida útil.
Laboratórios de P&D de meios filtrantes: estudos de tratamento eletrostático, estrutura de fibras e gradiente de porosidade dependem de análises por tamanho e repetibilidade entre lotes.
Em todos esses casos, a diluição controlada melhora a consistência ao reduzir efeitos instrumentais em altas concentrações e facilitar a comparação entre campanhas de ensaio.
5. Boas Práticas e Parâmetros Críticos
Para maximizar qualidade metrológica em sistemas com diluição, recomenda-se estruturar o protocolo com foco em incerteza e controle de processo.
5.1 Recomendações técnicas
Verificação do fator de diluição: validar estabilidade temporal e repetibilidade do fator em diferentes vazões de amostragem.
Controle de vazão e isocineticidade: garantir amostragem representativa; variações de vazão alteram contagem e distribuição aparente.
Gestão de deposição em linhas: minimizar comprimentos, curvas e superfícies rugosas; usar materiais e diâmetros adequados.
Monitoramento simultâneo de pressão diferencial: correlacionar Δp com eficiência fracionária, evitando interpretação incorreta por mudanças de regime.
Evitar coincidência: manter concentração dentro da faixa recomendada do contador/espectrômetro por meio de diluição e ajuste do gerador.
Estabilidade do aerossol de teste: controlar temperatura/umidade e garantir homogeneidade antes da seção de medição.
Reprodutibilidade interlaboratorial: padronizar pontos de amostragem, tempos de integração e critérios de limpeza/condicionamento do sistema.
5.2 Tabela conceitual: quando a diluição é crítica
6. Conclusão Técnica
Um sistema de medição com diluição como o FMS 375 serve para tornar medições de aerossol mais confiáveis em teste de filtros, especialmente quando a concentração upstream excede a capacidade linear de contadores e espectrômetros. Ao controlar a concentração amostrada, a diluição reduz saturação, coincidência e deriva, elevando a reprodutibilidade e a comparabilidade de resultados.
Em aplicações exigentes — como filtros HEPA e ULPA, ensaios conforme EN 1822/ISO 29463 e classificações relacionadas à ISO 16890 — a diluição não é apenas um acessório, mas um elemento de engenharia de medição que impacta diretamente a incerteza e a confiabilidade do laudo.
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