Como escolher o contador de partículas ideal para a aplicação
- Pituã Brasil Business

- 15 de jan.
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Subtítulo: Critérios de seleção baseados em faixa granulométrica, concentração, princípio de medição e conformidade com normas de ensaio.
Uma escolha tecnicamente adequada do instrumento reduz incerteza, melhora reprodutibilidade e sustenta decisões de engenharia em teste de filtros, qualificação de salas limpas e desenvolvimento de meios filtrantes.
1. Conceitos Fundamentais
A seleção de um contador de partículas deve partir da compreensão do comportamento de partículas em escoamentos e do que, de fato, se deseja medir: número, distribuição de tamanhos, concentração por canal, eficiência de coleta por faixa (eficiência fracionária) e efeitos colaterais do elemento filtrante, como pressão diferencial.
Em aerossóis, a dinâmica das partículas é governada por mecanismos que variam com o diâmetro aerodinâmico e a densidade efetiva. Em filtragem fibrosa, os principais mecanismos são:
Difusão Browniana (dominante em partículas ultrafinas);
Interceptação (partícula “toca” a fibra ao seguir a linha de corrente);
Impactação inercial (partículas maiores não acompanham o escoamento);
Forças eletrostáticas (relevantes em meios carregados, sensíveis a umidade e envelhecimento).
O resultado típico é a existência de um ponto de menor eficiência, frequentemente associado ao MPPS (most penetrating particle size), crítico para filtros HEPA e ULPA e para validações conforme EN 1822. Medir corretamente nesse regime exige instrumentação com boa resolução e baixa incerteza na região submicrométrica.
Outro parâmetro essencial é a pressão diferencial, pois desempenho de filtragem deve ser analisado junto ao custo energético e ao estado de carregamento. Ensaios completos correlacionam eficiência e ΔP em função de vazão e, quando aplicável, do carregamento de poeira.
Por fim, é necessário definir o “mensurando” com precisão: concentração numérica (partículas/cm³), contagem total em volume amostrado, distribuição por classes (análise granulométrica) e razão montante/jusante para cálculo de eficiência. Isso determina se um contador simples atende ou se um espectrômetro de aerossol com múltiplos canais é indispensável.
2. Métodos e Técnicas de Medição
Instrumentos para contagem de partículas e análise de aerossóis diferem por princípio físico, faixa de tamanho, limite superior de concentração e capacidade de classificação granulométrica. Os métodos mais usados em sistemas de teste e medição incluem:
2.1 Medição óptica por dispersão de luz (OPC/LPC)
O contador óptico detecta pulsos de luz espalhada quando partículas atravessam um feixe laser. A amplitude do pulso é correlacionada ao tamanho óptico e usada para classificar partículas em canais.
Vantagens: medição em tempo real, boa para salas limpas, boa faixa para 0,3–10 µm (dependendo do modelo).
Limitações: resposta depende do índice de refração e forma; pode haver viés de sizing; risco de coincidência em altas concentrações.
Em validação de ambientes (ex.: ISO 14644), OPCs são comuns. Em teste de filtros, podem ser usados para eficiência por canais, desde que se garanta concentração dentro da faixa linear do sensor e que o aerossol de teste seja apropriado.
2.2 Contagem por condensação (CPC) e sistemas de alta sensibilidade
Em CPC, partículas ultrafinas são “crescidas” por condensação (álcool/água) até tamanhos detectáveis opticamente. Isso amplia a capacidade de contagem em faixas nanométricas.
Vantagens: excelente sensibilidade para partículas muito pequenas.
Limitações: tipicamente sem classificação granulométrica por si só; exige cuidado com fluido de trabalho e manutenção; pode saturar em altas concentrações.
Quando combinados com técnicas de classificação (ex.: mobilidade elétrica), permitem análise detalhada de distribuição nanométrica, relevante em P&D e em avaliação de emissões.
2.3 Eficiência fracionária e comparação montante/jusante
Eficiência fracionária é a eficiência do filtro em faixas discretas de tamanho, calculada por:
Eficiência(d) = 1 − Cjus(d) / Cmon(d)
onde C é a concentração numérica por canal e d representa a classe granulométrica. Para obter resultados rastreáveis, é fundamental que as amostragens montante e jusante sejam equivalentes em:
vazão de amostragem e tempo de integração;
perdas por deposição em linhas (curvaturas, comprimento, carga eletrostática);
isocineticidade (quando aplicável) e homogeneidade do aerossol.
Em ensaios HEPA/ULPA, a conformidade com EN 1822 envolve requisitos de método, aerossol e abordagem estatística para determinar MPPS e classe do filtro. Já em filtros de ventilação geral, normas de ensaio como ISO 16890 usam abordagem por frações PM (ePM1, ePM2,5, ePM10), com medições que podem combinar instrumentação de contagem e métodos complementares.
2.4 Gravimetria e métodos complementares
Métodos gravimétricos determinam massa coletada e são úteis em ensaios de carregamento, eficiência por massa e avaliação de poeiras padronizadas. Não substituem a contagem quando o objetivo é caracterizar o MPPS e a eficiência por tamanho, mas são relevantes para correlação com perda de carga e vida útil.
2.5 Tabela conceitual de escolha por requisito
3. Equipamentos Usados no Setor
Os sistemas de teste e medição para aerossóis e filtros combinam geração de aerossol, condicionamento de fluxo, instrumentação de contagem e medição de variáveis de processo (vazão, temperatura, umidade, ΔP). Em ambiente industrial e laboratórios, são comuns:
3.1 Espectrômetros de aerossol
Um espectrômetro de aerossol realiza análise granulométrica em múltiplos canais, permitindo estimar distribuição e calcular eficiência fracionária. É particularmente indicado para ensaios que exigem curva de eficiência por tamanho e identificação do MPPS.
Em plataformas integradas de fabricantes como a TOPAS, espectrômetros são frequentemente acoplados a bancadas que estabilizam vazão, garantem mistura do aerossol e automatizam aquisição para reduzir variabilidade operativa.
3.2 Contadores de partículas para sala limpa e validação
Em qualificação e monitoramento, contadores ópticos com vazões padronizadas são usados para verificar conformidade com classes de limpeza e para investigação de eventos. A seleção deve considerar:
limite inferior de tamanho (ex.: 0,3 µm, 0,5 µm);
vazão de amostragem (impacta tempo estatístico);
capacidade de concentração sem perdas por coincidência;
calibração e conformidade com requisitos aplicáveis.
3.3 Bancadas e sistemas automatizados para teste de filtros
Ensaios de filtros automotivos, industriais e HVAC exigem controle rigoroso de vazão e repetibilidade do aerossol de teste. Bancadas incluem:
geradores de aerossol (óleo, sal, poeira padronizada), com estabilidade e ajuste de concentração;
instrumentação para montante/jusante com comutação ou medições simultâneas;
sensores de pressão diferencial com faixa e resolução adequadas;
aquisição de dados e rotinas de validação do ensaio.
Em filtros HEPA/ULPA, a integração de espectrômetro, gerador e condicionamento do aerossol é decisiva para reduzir incertezas associadas à homogeneidade, perdas em linhas e flutuações de concentração.
4. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios
A escolha do contador de partículas depende do regime de tamanho/concentração e do objetivo de engenharia. Exemplos técnicos típicos incluem:
4.1 Filtros HEPA e ULPA (EN 1822)
Requerem caracterização do MPPS e eficiência muito elevada. Isso favorece espectrômetros com resolução submicrométrica, baixa incerteza e capacidade de operar com aerossóis de teste adequados (ex.: DEHS, PAO ou NaCl, conforme método). A medição de ΔP simultânea é necessária para validação do projeto e avaliação energética.
4.2 Ventilação geral e HVAC (ISO 16890)
Embora a classificação ISO 16890 seja baseada em frações PM, testes em P&D e otimização de meios filtrantes se beneficiam de análise por contagem e distribuição de tamanho para correlacionar performance com estrutura do meio, carga eletrostática e envelhecimento. A combinação de contagem e parâmetros de processo melhora a compreensão de mecanismos de captura.
4.3 Filtros automotivos e industriais
Em admissão de ar, filtros para turbinas a gás e processos industriais, o desafio pode ser alta carga de poeira e ampla distribuição granulométrica. Sistemas devem tolerar concentrações elevadas, ter estratégia para diluição quando necessário e manter reprodutibilidade sob variações de temperatura e umidade.
4.4 Ensaios de meios filtrantes em laboratório
Para desenvolvimento de meios filtrantes, instrumentos com capacidade de medir eficiência fracionária em amostras planas, sob vazões normalizadas e com controle de ΔP, permitem comparar tratamentos (eletretos, nanofibras, gradientes de densidade) com rigor metrológico.
5. Boas Práticas e Parâmetros Críticos
Resultados confiáveis dependem tanto do instrumento quanto do método. Recomendações técnicas para reduzir incerteza e aumentar reprodutibilidade:
5.1 Definir claramente faixa de tamanho e concentração
Selecione faixa de detecção alinhada ao MPPS esperado e ao objetivo do ensaio.
Verifique limite superior de concentração para evitar coincidência (OPC) ou saturação (CPC).
5.2 Controlar aerossol de teste e condições ambientais
Estabilize geração e mistura do aerossol de teste antes de coletar dados.
Monitore temperatura e umidade; meios eletrostáticos podem variar significativamente com UR.
Garanta neutralização de carga quando o método exigir, reduzindo artefatos de deposição.
5.3 Minimizar perdas e assimetrias nas linhas de amostragem
Use linhas curtas, com poucas curvas e materiais adequados para reduzir deposição.
Equalize comprimentos e geometrias entre montante e jusante.
Valide o sistema com testes de bypass e verificações de equilíbrio de vazão.
5.4 Tratar dados com critérios metrológicos
Avalie repetibilidade e incerteza por canal; baixos números de contagens exigem maior tempo de integração.
Relate condições de ensaio (vazão, ΔP, aerossol, instrumentação, diluição) para rastreabilidade.
Implemente rotinas de verificação de zero, calibração e checagens de alinhamento óptico quando aplicável.
5.5 Escolher entre medição simultânea e comutação
Em ensaios montante/jusante, medições simultâneas reduzem erros por flutuação do aerossol. Quando a comutação é usada, o sistema deve compensar variações temporais por controle de estabilidade e algoritmos apropriados.
6. Conclusão Técnica
Escolher o contador de partículas ideal é uma decisão de engenharia baseada no mensurando, no regime de tamanho e concentração, na física do aerossol e nas normas de ensaio (ex.: ISO 16890, EN 1822, etc.). Instrumentos como contadores ópticos, CPCs e espectrômetros de aerossol atendem necessidades distintas, e sua integração em bancadas automatizadas (incluindo soluções como sistemas TOPAS) tende a elevar a consistência de resultados em ambientes industriais e laboratórios.
Em teste de filtros, a confiabilidade dos dados de eficiência e pressão diferencial impacta diretamente a qualificação de produtos, a validação de processos e o desenvolvimento de meios filtrantes. A instrumentação correta, combinada a boas práticas de amostragem e controle do aerossol, é o caminho para medições tecnicamente defensáveis e comparáveis entre laboratórios.
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