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Como garantir que um filtro HEPA está realmente aprovado

  • Foto do escritor: Pituã Brasil Business
    Pituã Brasil Business
  • 15 de jan.
  • 6 min de leitura

Subtítulo: Critérios normativos, metrologia de aerossóis e verificação de integridade para confirmar desempenho real além do rótulo.



Resumo técnico: A aprovação confiável de filtros HEPA depende de ensaios com aerossol de teste, eficiência fracionária por faixa granulométrica, determinação de MPPS, controle de pressão diferencial e conformidade com EN 1822/ISO 29463, assegurando reprodutibilidade e rastreabilidade.



1. Conceitos Fundamentais

“Aprovado” para filtros HEPA e ULPA não é um atributo genérico: é uma afirmação vinculada a classes normativas, condições de ensaio e critérios de aceitação. Em termos técnicos, a validação envolve comprovar eficiência mínima na região crítica de tamanhos de partículas, além de integridade (ausência de vazamentos locais) e desempenho aerodinâmico (ex.: pressão diferencial dentro de especificação).


A filtração de aerossóis em meios fibrosos é regida pela combinação de mecanismos físicos: difusão Browniana (dominante em ultrafinos), interceptação e impactação inercial (mais relevantes em partículas maiores), além de atração eletrostática quando aplicável ao meio filtrante. A curva de eficiência em função do diâmetro aerodinâmico apresenta um “vale” conhecido como MPPS (Most Penetrating Particle Size), no qual a penetração é máxima e a eficiência é mínima.


Para filtros HEPA, o MPPS tipicamente ocorre na faixa de ~0,1 a 0,3 µm, dependendo do meio filtrante, velocidade face, estrutura de fibras e cargas eletrostáticas. Assim, afirmar que um filtro é HEPA sem evidenciar desempenho no MPPS é tecnicamente insuficiente.


Parâmetros críticos associados ao comportamento de partículas e ao desempenho do filtro incluem:


  • Eficiência fracionária (por classes de tamanho) e penetração (%).

  • Análise granulométrica do aerossol de teste (distribuição, estabilidade, concentração).

  • Pressão diferencial (Δp) no fluxo nominal, correlacionada a consumo energético e capacidade de operação.

  • Velocidade face e vazão (condições que deslocam o MPPS e alteram a eficiência).

  • Integridade do conjunto (mídia, vedação, moldura, separadores) e vazamentos locais.


2. Métodos e Técnicas de Medição

A confirmação de aprovação exige diferenciar ensaios de classificação (determinação de classe HEPA/ULPA) de ensaios de aceitação em instalação (integridade em campo). A seleção do método depende do objetivo: comparar meios filtrantes, qualificar lote, classificar elemento final ou validar um sistema instalado.



2.1 Eficiência fracionária por contagem e espectrometria

O método mais robusto para classificação de filtros HEPA e ULPA é a medição de eficiência fracionária com espectrômetro de aerossol (ou contagem por classes), comparando a concentração a montante e a jusante do filtro por faixa granulométrica. Isso permite identificar o MPPS e verificar a eficiência mínima justamente na região crítica.


Aspectos técnicos relevantes:


  • Base de medição: contagem de partículas por canais de tamanho (número/cm³) com correção de coincidência quando aplicável.

  • Penetração: P(d) = Cjusante(d) / Cmontante(d); eficiência η(d) = 1 − P(d).

  • Reprodutibilidade: exige estabilidade do aerossol de teste, amostragem isocinética (quando aplicável) e controle de vazão.

  • Limitações: dependência de índice de refração no caso de medição óptica; necessidade de controle de carga e aglomeração.


2.2 Ensaios gravimétricos e seus limites para HEPA

Métodos gravimétricos são comuns em teste de filtros para faixas mais grossas (ex.: pré-filtros), usando massa coletada para inferir eficiência. Para HEPA/ULPA, a abordagem gravimétrica tende a ser inadequada para classificação por não resolver a região do MPPS e por não fornecer eficiência fracionária. Pode ser útil como complementar (ex.: capacidade de carga), mas não substitui a contagem/espectrometria.



2.3 Detecção de vazamentos e integridade

Mesmo que a eficiência fracionária do meio esteja correta, vazamentos em vedação, moldura ou defeitos locais comprometem o desempenho. Ensaios de integridade tipicamente utilizam aerossol de teste e varredura a jusante para localizar picos de concentração (leaks). Esses ensaios são essenciais em salas limpas e aplicações farmacêuticas.


Diferenças importantes:


  • Classificação: mede desempenho global fracionário e determina classe (ex.: H13, H14).

  • Integridade: identifica vazamentos locais e falhas de montagem/vedação.


2.4 Pressão diferencial e caracterização aerodinâmica

A pressão diferencial é medida no fluxo nominal para caracterizar restrição ao escoamento e verificar conformidade com especificações do projeto. Δp impacta consumo energético, estabilidade de vazão e vida útil. Ensaios devem considerar incerteza de transdutores, temperatura, densidade do ar e uniformidade do escoamento.



3. Normas de Ensaio e Critérios de Aprovação

Para filtros HEPA e ULPA, as referências mais relevantes são EN 1822 e ISO 29463, que estabelecem:


  • Classificação por eficiência no MPPS (e/ou penetração máxima).

  • Procedimentos de determinação do MPPS.

  • Requisitos de ensaio de vazamento (scan) e limites de aceitação.

  • Condições de fluxo, montagem e amostragem.

Normas como ISO 16890 são fundamentais para filtros de ventilação geral (classificação por ePM1, ePM2.5, ePM10), mas não substituem EN 1822/ISO 29463 para declarar HEPA/ULPA. Uma verificação consistente deve assegurar que o certificado e o método de ensaio sejam compatíveis com a família de filtros (ventilação geral vs. alta eficiência).



4. Equipamentos Usados no Setor

A confiabilidade do resultado depende tanto do método quanto da instrumentação e do controle metrológico. Em bancadas e sistemas de teste e medição, é comum o uso de arquiteturas modulares com geração, condicionamento e caracterização do aerossol de teste, além de instrumentação para vazão e Δp.



4.1 Espectrômetro de aerossol e contagem de partículas

Um espectrômetro de aerossol fornece distribuição por tamanho e concentração por canal, permitindo eficiência fracionária e identificação do MPPS. Já contagem de partículas (OPC/CPC dependendo da faixa) é usada para quantificar concentrações a montante/jusante e suportar cálculo de penetração.


  • OPC (óptico): adequado para faixas típicas de 0,1–10 µm, com sensibilidade dependente de óptica e propriedades de espalhamento.

  • CPC (condensação): usado para partículas ultrafinas, quando a faixa de interesse exige maior sensibilidade.


4.2 Geradores de aerossol de teste e neutralização

Geradores produzem aerossóis com distribuição controlada (ex.: DEHS, PAO, NaCl), e a estabilidade temporal é essencial para reprodutibilidade. Neutralizadores (ex.: fonte de raios X ou neutralização por descarga) ajudam a controlar carga elétrica, reduzindo vieses por deposição eletrostática não representativa.



4.3 Bancadas automatizadas e sistemas TOPAS

Sistemas industriais de teste de filtros, incluindo plataformas conhecidas no setor como sistemas TOPAS, integram geração e medição de aerossóis, controle de vazão, medição de pressão diferencial e aquisição de dados para execução de rotinas conforme norma. O papel técnico dessas plataformas é reduzir variabilidade, padronizar sequências de ensaio, garantir estabilidade do ponto de operação e registrar dados para auditoria e compliance.



4.4 Instrumentação de fluxo e Δp

Medidores de vazão (ex.: elementos de fluxo, anemometria, dispositivos calibrados) e transdutores de Δp são indispensáveis para verificar condições normativas. A incerteza desses instrumentos afeta diretamente a comparabilidade interlaboratorial.



5. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios

O risco de um filtro “não realmente aprovado” se manifesta de forma distinta por setor, mas o mecanismo de falha é recorrente: método inadequado, condição de ensaio fora da norma, ou ausência de verificação de integridade.


  • Salas limpas e farmacêutica: exigem integridade do sistema instalado, com varredura para vazamentos e controle de contagem de partículas ambiental. Filtros HEPA e ULPA devem manter desempenho sob regimes de vazão e ciclos de operação.

  • Laboratórios de P&D e fabricantes: precisam comparar meios filtrantes, avaliar influência de carga eletrostática, gramatura, diâmetro de fibra e tratamento superficial na curva de eficiência e no MPPS.

  • Turbinas a gás e processos industriais: além da eficiência, Δp e robustez do conjunto influenciam disponibilidade operacional. Ensaios devem representar condições de fluxo e possíveis variações de densidade do ar.

  • Filtros automotivos/industriais: embora nem sempre sejam HEPA, a disciplina de ensaio (granulometria, estabilidade do aerossol de teste, Δp) é análoga e suporta decisões de projeto e QA.


6. Boas Práticas e Parâmetros Críticos

Para aumentar confiabilidade, reduzir incerteza e evitar aprovações equivocadas, recomenda-se estruturar o protocolo com foco em rastreabilidade, controle estatístico e aderência normativa.



6.1 Checklist técnico de confiabilidade

  • Confirmar a norma aplicável: EN 1822/ISO 29463 para HEPA/ULPA; não extrapolar resultados de ISO 16890 para declarar HEPA.

  • Garantir eficiência fracionária: usar espectrômetro de aerossol ou contagem por canais para determinar MPPS e eficiência mínima.

  • Controlar o aerossol de teste: estabilidade de concentração, distribuição conhecida, neutralização quando requerida e validação por análise granulométrica.

  • Verificar vazão e uniformidade: variações deslocam MPPS e alteram a eficiência; registrar condições ambientais e correções.

  • Medir pressão diferencial: Δp no fluxo nominal e, quando aplicável, curva Δp vs. vazão para caracterização.

  • Executar ensaio de integridade: varredura a jusante para identificar vazamentos locais, principalmente em aplicações críticas.

  • Calibração e incerteza: manter calibração rastreável de espectrômetros, contadores, medidores de vazão e transdutores de Δp.

  • Reprodutibilidade: rodar amostras de referência e estudos R&R quando o objetivo for liberação de lote e compliance.


6.2 Erros comuns a evitar

  • Declarar HEPA com base apenas em eficiência “global” sem MPPS.

  • Usar faixa granulométrica inadequada ao tipo de filtro e ao critério normativo.

  • Desconsiderar vazamentos locais e confiar apenas no meio filtrante.

  • Ignorar efeito de carga eletrostática e neutralização no comportamento de partículas.

  • Comparar resultados de diferentes laboratórios sem harmonizar condições, instrumentação e incertezas.


7. Conclusão Técnica

Garantir que um filtro HEPA está realmente aprovado requer mais do que um certificado genérico: exige evidência metrológica baseada em normas de ensaio (especialmente EN 1822/ISO 29463), determinação de MPPS e eficiência fracionária, além de verificação de integridade e controle de pressão diferencial. A qualidade do resultado está diretamente ligada ao controle do aerossol de teste, à escolha correta de instrumentação (incluindo espectrômetro de aerossol e contagem de partículas) e à disciplina de sistemas de teste e medição capazes de assegurar reprodutibilidade.


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