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Diferença entre classificação, monitoramento e auditoria

  • Foto do escritor: Pituã Brasil Business
    Pituã Brasil Business
  • 15 de jan.
  • 5 min de leitura

Subtítulo: Critérios metrológicos e normativos para qualificar filtros e controlar partículas com rastreabilidade.



Classificação define desempenho sob condições de ensaio padronizadas; monitoramento verifica estabilidade em operação; auditoria confirma conformidade do sistema (produto, processo e dados) frente a requisitos normativos e de qualidade.



1. Conceitos Fundamentais

Em sistemas de filtragem, a distinção entre classificação, monitoramento e auditoria decorre do objetivo metrológico e do contexto de uso. A classificação é uma atribuição formal de classe (ex.: ePM1, H14, U15) a partir de um teste de filtros controlado, com aerossol de teste, vazão e instrumentação definidos. O monitoramento é a medição contínua ou periódica de variáveis operacionais e de qualidade do ar/processo, com foco em tendência, detecção de desvios e ações de manutenção. A auditoria é a verificação sistemática (técnica e documental) de que métodos, equipamentos, calibrações, dados e critérios de aceitação permanecem aderentes a normas, especificações e requisitos de compliance.


O desempenho de filtros é regido por mecanismos físicos dependentes do diâmetro aerodinâmico e da dinâmica de partículas. O comportamento de partículas em escoamentos inclui deposição por difusão Browniana (nanométricas), interceptação e impactação inercial (micrométricas), além de atração eletrostática (quando aplicável). A eficiência varia com o tamanho e apresenta um mínimo característico conhecido como MPPS (Most Penetrating Particle Size), crítico para filtros HEPA e ULPA.


Os parâmetros fundamentais de engenharia incluem:


  • Eficiência / Penetração: b7 = 1 1 P, com P = Cjusante/Cmontante sob condições definidas.

  • Eficiência fracionária: b7(d) por faixas granulométricas, exigindo análise granulométrica por classes de tamanho.

  • Pressão diferencial (94p): queda de pressão no filtro para uma vazão dada, ligada ao consumo energético e ao carregamento por poeira.

  • Carregamento e capacidade de retenção: evolução de 94p e eficiência ao longo do depósito de partículas no meio filtrante.

  • Incerteza e reprodutibilidade: estabilidade do aerossol de teste, repetibilidade instrumental, vazão e condicionamento ambiental.


2. Métodos e Técnicas de Medição

A seleção do método depende do objetivo (classificar, monitorar ou auditar) e da faixa de partículas. Em ensaios de laboratório, busca-se rastreabilidade e controle de condições; em campo, prioriza-se representatividade e robustez.



2.1 Classificação: desempenho sob norma

A classificação é baseada em normas de ensaio que definem aerossol, vazão, condicionamento e critérios. Exemplos típicos:


  • ISO 16890 (filtros de ar para ventilação geral): classificação ePM1/ePM2,5/ePM10 baseada em eficiência fracionária por tamanho, com conversões para frações de massa.

  • EN 1822 (filtros HEPA e ULPA): determinação de eficiência no MPPS e teste de integridade (varredura) para localizar vazamentos.

Em termos instrumentais, a classificação tende a usar contagem por tamanho (método fracionário) em vez de métodos apenas gravimétricos. Isso porque a eficiência fracionária é sensível ao tamanho, enquanto a gravimetria integra massa e pode mascarar comportamentos em MPPS.



2.2 Monitoramento: estabilidade e detecção de desvios

Monitoramento, em filtros e sistemas de ar, frequentemente combina:


  • Pressão diferencial para indicar carregamento e orientar troca/manutenção.

  • Contagem de partículas no ambiente (salas limpas, áreas críticas) para controle de tendência e alarmes.

  • Variáveis de processo: vazão, temperatura, umidade, regimes de operação e ciclos de limpeza (quando aplicável).

O monitoramento não substitui a classificação: ele não reatribui classe ao filtro; verifica se o sistema permanece dentro de limites operacionais e de qualidade.



2.3 Auditoria: conformidade técnica e metrológica

A auditoria avalia o sistema como um todo: método, instrumentação, calibração, qualificação e integridade dos dados. Em um contexto de teste de filtros e QA/validação, isso inclui:


  • Rastreabilidade de calibração de espectrômetro de aerossol, contadores e sensores de 94p.

  • Verificação de procedimentos: amostragem isocinética quando aplicável, pontos de medição, tempos de estabilização e critérios de aceitação.

  • Revisão de incerteza: contribuições de vazão, estabilidade do aerossol de teste, perdas em linhas, diluição e estatística de contagem.

  • Integridade e consistência de registros (dados brutos, metadados de teste, versões de software).


2.4 Comparação conceitual dos três conceitos


3. Equipamentos Usados no Setor

A confiabilidade das conclusões depende dos sistemas de teste e medição empregados. Em ensaios de eficiência e integridade, os equipamentos devem garantir estabilidade do aerossol, controle de vazão e medição por tamanho com resolução adequada.



3.1 Espectrômetro de aerossol e análise granulométrica

O espectrômetro de aerossol (por espalhamento óptico ou mobilidade, conforme faixa) fornece análise granulométrica e concentração por canais de tamanho, base para eficiência fracionária. Em classificações conforme ISO 16890, a medição por classes permite mapear a curva b7(d) e reduzir ambiguidades de métodos integrados.



3.2 Contadores de partículas e monitoramento ambiental

Contadores de partículas (geralmente ópticos) suportam monitoramento de salas limpas e áreas controladas, com foco em limites por tamanho e tendência. Para auditoria e validação, é crítico controlar taxas de amostragem, tempos de integração, coincidência e limpeza/condicionamento do instrumento.



3.3 Medição de pressão diferencial e controle de vazão

Transdutores de 94p e medidores de vazão são essenciais tanto em laboratório quanto em operação. Em bancada, a vazão define regime de escoamento e influencia deposição/penetração; em campo, 94p é indicador de carregamento e de falhas (ex.: rompimento do meio filtrante ou bypass).



3.4 Bancadas e sistemas automatizados de ensaio (ex.: TOPAS)

Sistemas integrados de teste, como os utilizados no setor (incluindo plataformas TOPAS), tipicamente combinam geração e condicionamento de aerossol de teste, controle de vazão, instrumentação de tamanho/concentração e aquisição de dados. O papel técnico desses sistemas é reduzir variabilidade operador-dependente, aumentar reprodutibilidade e permitir execução consistente de rotinas conforme normas de ensaio.



4. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios

As três camadas (classificação, monitoramento e auditoria) aparecem de forma complementar em diferentes segmentos:


  • Filtros automotivos e industriais: classificação de eficiência e 94p em condições controladas; monitoramento de 94p e ciclos de limpeza em filtros de admissão/coletores; auditoria de consistência entre lotes de meios filtrantes e parâmetros de processo.

  • Salas limpas e indústria farmacêutica: filtros HEPA e ULPA classificados por EN 1822 (MPPS e integridade); monitoramento por contagem de partículas e 94p em pontos críticos; auditoria de calibração, qualificação (IQ/OQ/PQ quando aplicável) e trilhas de dados.

  • Turbinas a gás: necessidade de baixa perda de carga e alta eficiência para partículas finas; monitoramento de 94p para maximizar disponibilidade; auditoria de critérios de aceitação e rastreabilidade de ensaios em mudanças de fornecedor de meios filtrantes.

  • Laboratórios de P&D e fabricantes de meios filtrantes: correlação entre microestrutura do meio (porosidade, gramatura, tratamentos eletrostáticos) e curva b7(d); validação cruzada entre espectrômetro de aerossol, métodos alternativos e estudos de incerteza.


5. Boas Práticas e Parâmetros Críticos

Para reduzir risco metrológico e aumentar comparabilidade entre ensaios, recomenda-se estruturar os três pilares de forma explícita.



5.1 Redução de incerteza e aumento de reprodutibilidade

  • Estabilizar concentração e distribuição do aerossol de teste antes de iniciar medições; verificar deriva temporal.

  • Controlar vazão e regime de escoamento; registrar temperatura/umidade quando relevantes ao comportamento de partículas.

  • Minimizar perdas em linhas de amostragem (comprimento, curvas, deposição eletrostática) e documentar fatores de correção.

  • Garantir contagens suficientes por canal para reduzir incerteza estatística (Poisson) em eficiência fracionária.


5.2 Erros comuns em interpretação

  • Inferir classe a partir apenas de 94p: queda de pressão não mede eficiência e pode ser enganosa em casos de bypass.

  • Comparar resultados de métodos diferentes sem harmonização (óptico vs gravimétrico; diferentes faixas de tamanho).

  • Ignorar MPPS em filtros HEPA e ULPA: eficiência em tamanhos maiores não garante desempenho no mínimo de eficiência.


5.3 Protocolos de ensaio e auditoria técnica

  1. Definir o objetivo: classificação (norma), monitoramento (controle) ou auditoria (conformidade).

  2. Escolher método e instrumentação compatíveis com a faixa granulométrica e com a métrica requerida.

  3. Estabelecer critérios de aceitação, periodicidade e plano de calibração para todos os instrumentos críticos.

  4. Documentar condições de ensaio e versões de software/firmware para rastreabilidade e repetição.


6. Conclusão Técnica

Classificação, monitoramento e auditoria não são termos intercambiáveis: representam níveis distintos de evidência técnica. A classificação entrega uma referência normatizada de desempenho; o monitoramento assegura controle contínuo de variáveis críticas; e a auditoria garante que métodos, dados e decisões são defensáveis, rastreáveis e consistentes com normas de ensaio (como ISO 16890 e EN 1822) e requisitos de qualidade.


Em testes de filtros, a combinação de instrumentação adequada (contagem de partículas, espectrômetro de aerossol, 94p e controle de vazão) e sistemas integrados de ensaio e aquisição de dados é determinante para confiabilidade, comparabilidade e tomada de decisão baseada em evidências.


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