Guia prático: como ler relatórios gerados por sistemas TOPAS
- Pituã Brasil Business

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Subtítulo: Interpretação técnica de parâmetros, curvas e critérios normativos em testes de filtros baseados em aerossol.
Este guia consolida uma leitura objetiva e tecnicamente rigorosa dos principais campos e gráficos de relatórios emitidos por sistemas de teste e medição (como os sistemas TOPAS), conectando cada resultado a fundamentos de física de aerossóis, mecanismos de captura, incerteza e normas de ensaio (ex.: ISO 16890, EN 1822).
1. Conceitos Fundamentais
Relatórios de teste de filtros produzidos por bancadas automatizadas tipicamente derivam de medições de concentração de partículas a montante e a jusante do elemento filtrante, sob condições de fluxo controladas. O objetivo é caracterizar eficiência, perda de carga e, em alguns casos, integridade (vazamentos) e comportamento ao carregamento.
1.1 Comportamento de partículas e propriedades do aerossol
O comportamento de partículas em um escoamento é governado por regime aerodinâmico (número de Reynolds local), forças de arrasto, difusão Browniana, inércia e efeitos eletrostáticos. Em filtragem, a métrica de tamanho mais comum é o diâmetro aerodinâmico (relevante para deposição por inércia/impacção) ou o diâmetro óptico equivalente (dependente de índice de refração e forma).
Um aerossol de teste adequado deve apresentar estabilidade temporal, distribuição granulométrica controlável e concentração compatível com o método de detecção. A coerência entre gerador, neutralização de carga e instrumentação é determinante para reprodutibilidade.
1.2 Fundamentos de filtragem e a região MPPS
O desempenho de meios filtrantes resulta da combinação de mecanismos:
Difusão (dominante em partículas ultrafinas, tipicamente < 0,1 µm);
Intercepção (dependente de razão tamanho da partícula/diâmetro de fibra);
Impacção inercial (relevante em partículas maiores e maiores velocidades);
Atração eletrostática (quando presente em meios eletretos e no estado de carga do aerossol).
A MPPS (Most Penetrating Particle Size) é a faixa em que a penetração é máxima (eficiência mínima). Em filtros HEPA e ULPA, normas como EN 1822 concentram-se na avaliação próxima à MPPS, pois é o ponto crítico de desempenho.
1.3 Parâmetros críticos em relatórios
Eficiência e penetração: eficiência = 1 − (Cjusante/Cmontante).
Eficiência fracionária: eficiência por classes de tamanho (bins) em uma análise granulométrica.
Pressão diferencial (ΔP): perda de carga em condição definida de vazão e densidade do ar.
Condições de ensaio: vazão, temperatura, pressão barométrica, umidade, concentração, tempo de amostragem.
Incerteza e reprodutibilidade: estabilidade do aerossol, repetição de pontos e rastreabilidade de calibração.
2. Métodos e Técnicas de Medição
Relatórios de sistemas TOPAS e plataformas equivalentes podem combinar instrumentos e métodos. A leitura correta depende de identificar: (i) o princípio de medição, (ii) a faixa de tamanho coberta, (iii) o tipo de aerossol e (iv) o alinhamento com a norma aplicável.
2.1 Medição por contagem versus fotometria
Contagem de partículas (ex.: contador óptico) fornece concentração numérica e permite eficiência fracionária por classes de tamanho. É indicada para caracterização detalhada e comparação entre meios filtrantes.
Fotometria mede sinal proporcional à massa ou intensidade de espalhamento (dependente do aerossol e óptica), sendo útil em testes de integridade e ensaios onde o objetivo é penetração global. A limitação é a menor seletividade granulométrica e dependência do aerossol padrão.
2.2 Espectrometria de aerossol e distribuição granulométrica
Um espectrômetro de aerossol (p. ex., por mobilidade elétrica ou por tempo de voo/óptico, conforme o arranjo) permite estimar a distribuição por tamanho e calcular eficiência por frações. Em relatórios, isso aparece como histogramas ou curvas de concentração (montante/jusante) por diâmetro e a curva de eficiência fracionária correspondente.
Pontos de atenção na leitura:
Definição de bins (limites inferior/superior) e escala (log/linear).
Correções de coincidência (quando aplicável) e limites de saturação.
Assunções sobre densidade e índice de refração (impacto em equivalência óptica).
2.3 Gravimetria e métricas de massa
Métodos gravimétricos quantificam massa retida e podem ser relevantes em ensaios de poeira (p. ex., carregamento) e em comparação com requisitos de desempenho por massa. A gravimetria tende a ser robusta, mas tem menor resolução em tamanho e requer cuidados com condicionamento e balanças de alta resolução.
2.4 Relação com normas (ISO 16890, EN 1822 e outras)
A norma aplicável determina o que o relatório deve evidenciar:
ISO 16890: classificação para ventilação geral baseada em eficiência por faixas (ePM1, ePM2,5, ePM10) e condicionamento. A leitura deve verificar frações, procedimento e forma de agregação.
EN 1822: foco em HEPA/ULPA com avaliação na MPPS, eficiência global/local e, quando aplicável, teste de varredura para vazamentos. Relatórios devem indicar o ponto de maior penetração e critérios de aceitação.
Outros referenciais setoriais podem exigir vazões específicas, aerossóis definidos (tipo e concentração) e tolerâncias instrumentais.
3. Equipamentos Usados no Setor
Sistemas TOPAS são tipicamente compostos por módulos de geração de aerossol, condicionamento (p. ex., neutralização), seções de teste com controle de vazão e instrumentação de medição a montante/jusante. A interpretação do relatório melhora quando se entende o papel de cada bloco.
3.1 Componentes típicos de um sistema de teste e medição
Gerador de aerossol: óleo (p. ex., DEHS/PAO) para integridade/HEPA ou partículas sólidas (p. ex., NaCl) conforme método.
Condicionamento: neutralizador, diluidores, mistura e estabilização para uniformidade.
Medição de vazão: medidores mássicos/volumétricos e controle em malha fechada.
Sensores de pressão diferencial: transdutores calibrados para ΔP do filtro e, quando aplicável, perdas em seções.
Instrumentos de partículas: contadores ópticos, fotômetros, espectrômetros de aerossol (dependendo da aplicação).
3.2 Como esses blocos aparecem no relatório
Em geral, os relatórios trazem:
Identificação do setup (modelo, faixa, calibrações, ID de sensores).
Condições de ensaio (vazão nominal, temperatura, pressão e umidade).
Tabelas de Cmontante/Cjusante por tamanho e eficiência fracionária.
Curvas ΔP versus vazão ou ΔP em ponto nominal.
Indicadores de qualidade do dado (desvio padrão, repetição, flags de alarme).
4. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios
Relatórios de sistemas TOPAS são usados para tomada de decisão em engenharia de produto, qualificação e controle de processo. A leitura correta deve sempre vincular o resultado ao uso final e ao modo de falha relevante (penetração, vazamento, colapso, carregamento, degradação).
4.1 Salas limpas e indústria farmacêutica
Em ambientes controlados, o interesse recai sobre filtros HEPA e ULPA, integridade e estabilidade de ΔP para gestão energética. Relatórios com eficiência fracionária ajudam a avaliar desempenho na MPPS e a consistência entre lotes, enquanto a pressão diferencial suporta análises de consumo e vida útil.
4.2 Automotivo, industrial e turbinas a gás
Em admissão de ar e processos industriais, é comum combinar métricas de eficiência por tamanho com avaliação de ΔP ao longo do tempo (carregamento). A comparação de meios filtrantes requer atenção à distribuição do aerossol de teste e à vazão específica do elemento, pois mudanças de velocidade superficial alteram a MPPS e a penetração.
4.3 P&D de meios filtrantes
Para desenvolvimento, a análise granulométrica e a eficiência fracionária permitem separar efeitos de estrutura (gramatura, diâmetro de fibra, carga eletrostática) dos efeitos de condição de ensaio. Relatórios devem ser lidos com foco em tendências e intervalos de confiança, não apenas em um ponto nominal.
5. Boas Práticas e Parâmetros Críticos
A qualidade da interpretação depende da qualidade metrológica do ensaio. As recomendações abaixo visam reduzir incerteza e elevar reprodutibilidade.
5.1 Checklist técnico para leitura e validação do relatório
Conferir condições: vazão, tempo de estabilização, temperatura/umidade e pressão barométrica.
Verificar faixa do instrumento: saturação, limites de detecção e linearidade do contador/fotômetro.
Checar estabilidade do aerossol: variação temporal de Cmontante e uniformidade.
Confirmar o método: contagem (fracionária) vs fotometria (global) vs gravimetria.
Auditar calibrações: rastreabilidade de vazão, pressão diferencial e instrumentos de partículas.
5.2 Erros comuns de interpretação
Comparar eficiências fracionárias obtidas com bins e faixas de tamanho diferentes.
Ignorar o impacto de aerossol (óleo vs sal) no espalhamento óptico e na equivalência de tamanho.
Não normalizar ΔP para condições equivalentes de vazão/densidade do ar.
Concluir conformidade normativa sem verificar o procedimento completo exigido (ex.: MPPS, varredura, critérios locais/globais).
5.3 Tabela conceitual: o que observar em cada seção
6. Conclusão Técnica
Ler corretamente relatórios gerados por sistemas TOPAS exige vincular cada gráfico e tabela ao método de medição, ao aerossol de teste e ao referencial normativo. A interpretação adequada de eficiência fracionária, contagem de partículas, análise granulométrica e pressão diferencial reduz decisões baseadas em métricas incompatíveis e melhora a comparabilidade entre laboratórios, lotes e projetos.
Em contextos de QA, validação e compliance, a rastreabilidade metrológica, a verificação de condições de ensaio e a consistência com ISO 16890, EN 1822 e normas correlatas são fatores determinantes para confiabilidade. A seleção correta de sistemas de teste e medição e a aplicação de boas práticas elevam reprodutibilidade e sustentam resultados defensáveis em auditorias e desenvolvimento de produto.
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