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Quais parâmetros definem a eficiência de uma mídia

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    Pituã Brasil Business
  • há 6 dias
  • 6 min de leitura

Subtítulo: Parâmetros metrológicos e físico-químicos que determinam o desempenho real de meios filtrantes em diferentes regimes de partículas e condições de ensaio.



Em teste de filtros, “eficiência” não é um número único e universal. Ela resulta de um conjunto de parâmetros interdependentes: eficiência fracionária ao longo da granulometria, pressão diferencial (ΔP) em função da vazão, mecanismos de captura dominantes, estabilidade eletrostática, integridade do elemento, além de condições do aerossol de teste e do método de medição (ex.: contagem de partículas ou gravimetria). Em aplicações críticas—como filtros HEPA e ULPA, salas limpas e farmacêutica—o controle de incerteza e a reprodutibilidade do ensaio são tão importantes quanto o valor de eficiência obtido.



1. Conceitos Fundamentais

A eficiência de uma mídia filtrante é a capacidade de reduzir a concentração de partículas em um fluxo gasoso ao atravessar o material. Em termos físicos, o desempenho depende do comportamento de partículas (tamanho aerodinâmico, densidade, forma e carga) e da microestrutura do meio (diâmetro de fibra, porosidade, espessura, distribuição de poros, cargas eletretas).



1.1 Eficiência fracionária e MPPS

A métrica tecnicamente mais informativa é a eficiência fracionária, definida por faixa de tamanho de partícula. Para cada diâmetro (ou canal granulométrico), mede-se a penetração P e a eficiência η:


  • Penetração: P(d) = Cdown(d) / Cup(d)

  • Eficiência: η(d) = 1 − P(d)

O ponto crítico é o MPPS (Most Penetrating Particle Size), tamanho de partícula com maior penetração (menor eficiência). Em mídias fibrosas típicas, o MPPS tende a ocorrer em torno de ~0,1 a 0,3 µm, variando com velocidade superficial, densidade de empacotamento e efeitos eletrostáticos. Projetar e qualificar um meio filtrante sem caracterizar MPPS aumenta o risco de superestimar o desempenho.



1.2 Mecanismos de captura e dependência com a velocidade

Os principais mecanismos de filtração em meios fibrosos incluem:


  • Difusão (Browniana): dominante em partículas submicrométricas; melhora com menor velocidade e maior tempo de residência.

  • Intercepção: relevante quando a linha de fluxo passa próxima à fibra; aumenta com maior razão partícula/fibra.

  • Impactação inercial: dominante em partículas maiores e maiores velocidades; depende do número de Stokes.

  • Atração eletrostática: importante em meios eletretos; pode decair com tempo, temperatura, umidade e carga de poeira.

Como consequência, a eficiência não é constante com vazão. A mesma mídia pode apresentar diferentes curvas η(d) sob diferentes velocidades faciais, exigindo que o ensaio represente as condições reais de aplicação.



1.3 Pressão diferencial e energia específica

A pressão diferencial (ΔP) é o principal indicador de restrição ao fluxo e está diretamente associada ao custo energético e à vida útil. Em avaliação técnica, deve-se correlacionar eficiência e ΔP para formar um critério de compromisso, por exemplo:


  • ΔP inicial (meio limpo) na vazão nominal

  • Curva ΔP versus vazão (regime laminar/turbulento no meio)

  • Evolução de ΔP com carga de poeira (dust loading)

Somente eficiência elevada, sem controle de ΔP e estabilidade sob carga, não caracteriza desempenho adequado em aplicações industriais.



2. Métodos e Técnicas de Medição

Os métodos diferem por princípio de medição, faixa de tamanho de partícula, sensibilidade e rastreabilidade. A seleção adequada evita conclusões equivocadas sobre desempenho e conformidade.



2.1 Medição por contagem: óptica e fracionária

A abordagem mais comum para eficiência fracionária é baseada em contagem de partículas a montante e a jusante, com leitura por canal de tamanho. Os instrumentos típicos incluem espectrômetro de aerossol e contadores ópticos. Pontos técnicos críticos:


  • Faixa e resolução granulométrica: devem cobrir o MPPS esperado e a aplicação-alvo.

  • Condições de amostragem: isocinética, linhas curtas, controle de perdas por difusão/deposição.

  • Coincidência e saturação: limites de concentração do detector; pode exigir diluição.

  • Neutralização de carga: influencia a estabilidade do aerossol e a resposta do meio eletreto.

Para filtros HEPA e ULPA, a avaliação frequentemente se concentra na região submicrométrica e no pior caso (MPPS), com exigência de alta estabilidade do aerossol e controle rigoroso de vazão.



2.2 Métodos gravimétricos e eficiência global

Ensaios gravimétricos determinam eficiência por massa retida, úteis quando o interesse é captura total de material particulado em uma distribuição ampla (por exemplo, pré-filtros e filtros de admissão). Limitações técnicas:


  • Menor sensibilidade a partículas ultrafinas, onde a massa é pequena.

  • Dependência da composição e higroscopicidade do aerossol (variações de massa por umidade).

  • Dificuldade em inferir desempenho no MPPS sem dados fracionários.

Na prática, métodos gravimétricos são complementares à análise fracionária, especialmente para correlacionar eficiência com acúmulo de poeira e incremento de ΔP.



2.3 Normas de ensaio e comparabilidade

A comparabilidade entre laboratórios depende de aderência a normas de ensaio, que definem aerossol, vazão, condicionamento e critérios. Exemplos relevantes:


  • ISO 16890: avaliação de filtros de ventilação geral por frações ePM; inclui condicionamento e abordagem orientada a ambiente.

  • EN 1822: classificação de filtros de alta eficiência (EPA/HEPA/ULPA) com foco em MPPS e métodos de varredura/integrais.

  • ISO 29463: família alinhada à EN 1822 para classificação e ensaio de filtros de alta eficiência.

Diferenças de norma implicam diferenças de aerossol, distribuição de tamanhos, critérios de aceitação e incerteza permitida. Comparar resultados de métodos distintos sem normalização pode induzir decisões incorretas de especificação.



3. Equipamentos Usados no Setor

Os sistemas de teste e medição integram geração/condicionamento de aerossol, controle de vazão, instrumentação de concentração e medição de ΔP. Em laboratórios de P&D e QA, a seleção do arranjo deve priorizar estabilidade, rastreabilidade e repetibilidade.



3.1 Geração e condicionamento do aerossol de teste

  • Geradores de aerossol (óleo, sal ou poeira de referência) com controle de taxa e distribuição.

  • Neutralizadores (ex.: fonte bipolar) para reduzir efeitos de carga e melhorar reprodutibilidade.

  • Câmaras de mistura e condicionamento para homogeneidade e estabilidade temporal.


3.2 Instrumentação: espectrômetros e contadores

  • Espectrômetro de aerossol: fornece distribuição por canais (análise granulométrica) e permite calcular eficiência fracionária diretamente.

  • Contadores ópticos de partículas: úteis para faixas específicas e monitoramento contínuo, com atenção a limites de coincidência.

  • Instrumentos para ultrafinos (quando aplicável), com requisitos mais rigorosos de amostragem e diluição.


3.3 Bancadas de ensaio e medição de pressão diferencial

  • Bancadas com controle de vazão (ventilador, medidores de vazão, válvulas) e aquisição sincronizada.

  • Transdutores para ΔP com faixa adequada e compensação de temperatura/pressão barométrica.

  • Sistemas integrados (ex.: plataformas industriais como as linhas da TOPAS) para automatizar ciclos, registrar dados e reduzir variabilidade operacional.

Em meios filtrantes em formato plano (mídia), são comuns suportes de amostra com área efetiva definida, vedação controlada e regime de escoamento validado para evitar bypass.



4. Aplicações Reais em Indústria e Laboratórios

Os parâmetros que definem eficiência mudam de prioridade conforme a aplicação, embora a base metrológica seja a mesma.


  • Salas limpas e farmacêutica: foco em filtros HEPA e ULPA, MPPS, integridade, varredura/localização de vazamentos e estabilidade do desempenho ao longo do tempo.

  • HVAC e ventilação geral: avaliação conforme ISO 16890, com interesse em frações ePM e impacto energético associado a ΔP.

  • Automotivo (admissão de ar e cabine): compromisso entre eficiência, ΔP e capacidade de carregamento; correlação com poeiras de referência e ciclos de carga.

  • Turbinas a gás e ambientes agressivos: alta exigência em estabilidade sob umidade e aerossóis complexos; acompanhamento de ΔP e eficiência sob condições representativas.

  • Meios filtrantes em P&D: triagem rápida por curvas η(d) e ΔP, avaliação de efeitos eletretos e envelhecimento acelerado.


5. Boas Práticas e Parâmetros Críticos

Para reduzir incerteza e aumentar reprodutibilidade, recomenda-se estruturar protocolos com controles metrológicos explícitos.



5.1 Checklist técnico de qualidade do ensaio

  • Definir objetivo do ensaio: classificação normativa, comparação de materiais, validação de lote ou investigação de falha.

  • Controlar vazão e regime: registrar vazão, temperatura e pressão; manter estabilidade durante aquisição.

  • Garantir homogeneidade do aerossol: verificar estabilidade temporal e uniformidade espacial antes da amostragem.

  • Validar amostragem: minimizar perdas em linhas, usar conexões adequadas e geometria consistente.

  • Sincronizar leituras upstream/downstream: evitar defasagens que distorçam P(d).

  • Calibração e verificação: rotinas de verificação de zero, span, vazão e transdutores de ΔP.

  • Evitar bypass e vazamentos: vedação do porta-amostra e teste de estanqueidade.


5.2 Tabela conceitual: parâmetros e o que eles indicam


6. Conclusão Técnica

A eficiência de uma mídia filtrante é definida por um conjunto de parâmetros mensuráveis que devem ser avaliados de forma coerente com a aplicação e com as normas de ensaio pertinentes. A combinação de eficiência fracionária (incluindo MPPS), pressão diferencial, estabilidade sob carga e controle do aerossol de teste fornece um diagnóstico robusto do desempenho.


Ensaios confiáveis exigem instrumentação adequada—como espectrômetro de aerossol, sistemas de contagem de partículas, bancadas com controle preciso de vazão e medição de ΔP—e protocolos que maximizem reprodutibilidade. Plataformas integradas de fabricantes do setor (incluindo sistemas TOPAS) são frequentemente empregadas para padronizar rotinas e reduzir variabilidade operacional, desde que configuradas e verificadas conforme o objetivo metrológico.



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